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11/05/2016

A vitória da derrota

Hoje é o dia do derrotado nas urnas - que se diz "contra a corrupção" - comemorar o afastamento de uma presidenta que não possui uma acusação sequer de corrupção, enquanto celebra o emergir de um político inelegível.

Hoje o voto de milhões de pessoas - da maioria - será usurpado. E o derrotado nas urnas irá festejar a única vitória que consegue: a antidemocrática.

Hoje é o dia do derrotado nas urnas exaltar uma vitória ilegítima e espúria, movida a ódio (gerado pela incapacidade de ser crítico ou pela mera escolha de ser acrítico) a um partido político.

Hoje é o dia do derrotado nas urnas sorrir, enquanto nasce em nosso calendário mais um dia a ser lembrado com tristeza nas páginas da história.

Hoje é o dia da vitória do eterno derrotado.

Hoje é o dia do derrotado nas urnas.

Hoje é o dia do derrotado.

Hoje é o dia da derrota.

17/11/2014

A passeata de cada um deles

O monstro desavergonhado que saiu pelas ruas de São Paulo no dia 15 de novembro foi muito bem nutrido, durante anos, por um discurso bem arquitetado. Um discurso regurgitado indiretamente pela mídia marrom e alastrado diretamente por várias figuras públicas, por exemplo: Gentili e Lobão. 

Eles sempre divulgaram um discurso mergulhado em eufemismos (escrevi um pouco sobre isso aqui: http://migre.me/mVe1l). Gentili covardemente se esconde na comédia, mas qualquer pessoa com o mínimo de bom senso sabe que ele não é um ingênuo "bobão" que age sem intenção. Eles incitam o ódio às minorias (falo um pouco sobre isso aqui: http://migre.me/mVe40). Seja através da "comédia" ou através do discurso hipócrita moralista. O resultado: um bando (povoado por alguns que não fazem ideia e simplesmente repetem o que escutam, e por outros que sabem muito bem o que estão fazendo ali) saiu às ruas em defesa da intervenção militar, pois acredita que existe um golpe comunista em curso no Brasil.

Aquele grupo é cria deles. Aquela passeata é a personificação de todos eles. É o retrato monstruoso - sem filtros - de cada um deles. Lobão que se vire com o próprio gado, afinal, é covardia negar seus semelhantes. 

“A gente tinha que repensar a ditadura militar. Por que as pessoas acham… Essa Comissão da Verdade que tem agora. Por que que é isso? Que loucura que é isso? Aí tem que ter anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador, e pros caras que torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não [risos]. Essa foi horrível [risos]. Mas é, é bem isso. Quem é que vai falar isso? Quem é que vai ter o colhão de achar que bunda de pinto não é escovinha? Porque não é. Não é. Então é o seguinte: a gente viveu uma guerra. As pessoas não estavam lutando por uma democracia, as pessoas estavam lutando por uma ditadura de proletariado. As pessoas queriam botar um Cuba no Brasil, ia ser uma merda pra gente. Enquanto os militares foram lá e defenderam nossa soberania”. Por Lobão.

“Os militares estão cada vez mais humilhados. As pessoas têm que entender que nenhum país civilizado conseguiu ser um país com suas Forças Armadas no Estado em que está a brasileira. Eles fizeram a Força Nacional, uma milícia armada, uma polícia política. Está tudo pronto para vir um golpe e as pessoas não estão vendo”. Por Lobão.

“O estopim, a causa da ditadura militar foram eles. Desde 1935, desde a coluna Prestes, começaram a dar golpes de Estado. Em 1961, começaram a luta armada. Era bomba estourando, eu estava lá. Minha mãe falava: você vai ser roubado da gente, o comunismo não tem família”. Por Lobão.

“Quase um milhão de pessoas saíram às ruas pedindo para o Exército tomar o poder. Acham que a junta militar estava a fim de dominar o Brasil? Não vejo nenhum desses presidentes militares milionário. E massacram os caras”. Por Lobão.

“Uma das coisas que mais me preocupa é que a gente está no meio de um esquema internacional. O Brasil hoje faz parte de um esquema internacional para a implementação dessa bosta aqui. O que já aconteceu com a Venezuela, com a Argentina, o próximo passo sem dúvida alguma é o Brasil. E o que eu percebo é que a gente está entrando naquele ponto que foi o que o Maduro entrou no ano passado, que o cara faz em um ano o que demorariam dez anos pra fazer. Aquele ponto que não precisa mais manter a máscara. Eu acredito que depois da próxima eleição o Brasil chega nesse ponto. As pessoas têm que entender o que é, elas tem que pesquisar o que é o “Foro de São Paulo”, pra eles entenderem o que é o negócio. Não é que o PT vai ganhar e o Brasil vai ficar na mão do PT. É muito maior o negócio. É uma blocagem continental que tá acontecendo aqui, você pode olhar pra Venezuela, pra Argentina, pra Bolívia, o que eles estão querendo fazer é muito preocupante. É muito desesperador, as pessoas que não sabem do que eu estou falando, que estão acompanhando, pesquisem “Foro de São Paulo”. Vocês vão perceber que é muito preocupante o que está acontecendo aqui. A Venezuela tá virando Cuba, a Argentina tá virando Venezuela e a gente tá virando a Argentina. E a gente vai descendo em cascara, até que tudo Cuba, não tem jeito”. Por Danilo Gentili.

13/10/2014

Arremesse a pedra da informação

Impressões digitais da mídia estão arroladas em arquivos nefastos da história brasileira.

“Nunca houve tanta corrupção neste país” - em 1954, a imprensa, encabeçada por Carlos Lacerda, em campanha “contra a corrupção”, tentava desmoralizar Getúlio Vargas com um discurso moralista. Porém, Lacerda não contava com um contragolpe tão seco e eficaz: o suicídio de Vargas e a sua carta de despedida. Parte dela dizia: “Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida”. A comoção popular pela morte de Getúlio foi a maior já vista na história do país. A sede da Tribuna da Imprensa – jornal de Carlos Lacerda – foi depredada, e a sede do Globo atacada.

“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada” - editorial do jornalista Roberto Marinho, publicado no jornal O Globo, em 1984. Não é novidade: a imprensa apoiou o golpe militar de 1964 sob o pretexto de que um “golpe comunista” estava em curso e nas mãos do Presidente João Goulart. Pregaram a preservação da democracia, condenaram a corrupção e ajudaram a organizar uma ditadura extremamente corrupta.

“Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade. Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma glicerinazinha, colocamos as pastas, todas que estavam ali, com supostas denúncias contra o Lula, mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco. Foi uma maneira de melhorar a postura do Collor junto ao expectador pra ficar em pé de igualdade com a popularidade do Lula” - José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em entrevista à Globo News em 2011, confirmou a total parcialidade da emissora nas eleições de 1989 e ainda admitiu que arquitetou denúncias falsas para atingir a reputação de Lula. (Vídeo da entrevista: http://www.youtube.com/watch?v=VrpurEkmJkU).

Os quatro anos de governo Dilma merecem críticas. A nossa Presidenta afastou-se da luta pelos direitos dos homossexuais, aproximou-se de ruralistas, adiou a conversa sobre a democratização dos meios de comunicação, não combateu a corpulência da polícia diante das manifestações... dentre outros problemas muito relevantes. Mas, o que percebemos nas eleições de 2014 não são críticas fundamentadas. São críticas que nos remetem a 1954, 1964, 1989... Críticas arquitetadas e regurgitadas pela imprensa que sempre defendeu o conservadorismo e as elites. Críticas que visam combater o avanço das políticas sociais. Críticas que visam privilegiar a elite em detrimento do resto. Críticas que privilegiam factoides e transbordam um moralismo repugnante e hipócrita.

A corrupção é um assunto que deve ser discutido, é claro. Mas a corrupção não pertence a um único grupo. A corrupção é fruto do sistema, seja no Brasil, seja em qualquer outro país do mundo. Quem prega a moralidade e não discute a corrupção como um problema enraizado no sistema, visa deturpar a racionalidade e os fatos. O PSDB submerge na lama da corrupção e não possui moral alguma para apontar o dedo. Se o PSDB realmente quisesse "moralizar a política", primeiramente precisaria olhar para o próprio partido e exigir a investigação dos próprios malfeitos.

O que está em disputa nestas eleições é fácil de delinear. Aécio Neves representa o projeto neoliberal e anti-desenvolvimentista. A sua equipe, encabeçada por Armínio Fraga, defende a redução gradativa da inflação, o Banco Central independente, o “tripé macroeconômico”, o ajuste fiscal, o câmbio flutuante... Enfim, defende ações que notoriamente aprofundam as desigualdades sociais.

Para reduzir a inflação, é necessário elevar os juros. Consequentemente, a geração de empregos e a renda do trabalho são afetadas. Não é por acaso que o PSDB critica o método de valorização do salário mínimo utilizado pelos governos Lula/Dilma. Elevar os juros também afeta a dívida pública – afinal, é necessário pagar os juros – o que implica na redução do gasto social. As promessas de campanha de Aécio Neves são incompatíveis com gastos sociais.

Dilma representa uma política que articula, mais eficientemente, políticas econômicas e sociais. Não é “sorte” a melhora do Brasil nos indicadores de distribuição da renda do trabalho, mobilidade social, consumo das famílias e redução da miséria extrema. Como diz o economista Eduardo Fagnani, “de forma inédita, conciliou-se crescimento do PIB (e da renda per capita) com redução da desigualdade social. O Brasil saiu do Mapa da Fome e mais de 50 milhões de “desinformados” (na visão do ex-presidente FHC) deixaram a pobreza extrema”.

A diferença é clara. Cabe a você escolher em quem votar. Cabe a você escolher o lado. Sim, são lados diferentes. Bem diferentes. Um lado representa o projeto desigual, o outro representa o projeto da inclusão. Não se iluda, é esta a disputa. Se você se informou sobre as propostas eleitorais, você sabe o que elas significam. Se o seu voto é no Aécio, defenda as suas políticas, defenda os seus ideais e não se esconda no discurso covarde e sem sentido da corrupção. 

Assuma. Saia da caixa.

Revele-se.